quarta-feira, 17 de outubro de 2012



Desencanto

Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça, 
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.

E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,

Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente 
Os anelos de morte, cinza e nada.

E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante, 
Palpitando em minh’alma estraçalhada.

Hermes Fontes
psicografia de
( Chico Xavier )


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